A história do cartão de pagamento é uma jornada fascinante de inovação e adaptação.
Desde os primórdios do crédito até a era digital, cada avanço reflete a busca humana por mais conveniência e segurança.
O primeiro cartão de crédito foi criado em 1914 pela Western Union.
Era uma peça metálica exclusiva para clientes selecionados, permitindo adiar pagamentos sem juros.
Esse marco inicial abriu caminho para transformações radicais que moldaram o comércio global.
Origens e Era Física Inicial
A evolução começou com formas rudimentares de crédito, muito antes do dinheiro moderno.
Nos anos 1920, surgiram as chapas metálicas "Charga-Plate", usadas para crédito em lojas específicas.
Elas eram gravadas com informações do cliente e limitadas a parcerias locais.
Em 1946, John Biggins introduziu o "Charg-It", um cartão metálico operado por uma instituição financeira.
Ele foi aceito em múltiplos comerciantes, expandindo a utilidade dos cartões.
O grande salto veio em 1949-1950 com o Diners Club.
Cartão de pagamento universal moderno foi lançado por Frank McNamara após um incidente em um jantar.
Inicialmente de papelão, ele rapidamente ganhou popularidade.
Estabeleceu um sistema que promoveu cartões em massa, com 200 clientes e 27 estabelecimentos no início.
- 1914: Western Union cria cartão metálico para adiar pagamentos.
- 1928: Chapas metálicas "Charga-Plate" para crédito exclusivo.
- 1946: "Charg-It" de John Biggins, aceito em múltiplos locais.
- 1949-1950: Diners Club lança o primeiro cartão universal.
Nos anos 1950, os cartões evoluíram para plástico com dados em relevo.
Essa inovação permitiu impressão rápida com máquinas de papel carbono, conhecidas como "zip-zap".
A American Express lançou o primeiro cartão de plástico em 1959, feito de celuloide.
Até 1962, já tinha 900 mil clientes, mostrando o crescimento acelerado.
Revolução Eletrônica e Bandeiras Globais
A década de 1960 trouxe a tarja magnética, desenvolvida pela IBM.
Atribuída a Forrest Parry em 1969, ela codificava dados em fita magnética para terminais eletrônicos.
Isso marcou a transição do processamento manual para o eletrônico, acelerando transações.
Em 1966, o Mastercard foi lançado pelo Interbank Card Association.
O Bank of America licenciou seu sistema BankAmericard, que mais tarde se tornou Visa.
Essas bandeiras estabeleceram redes globais que conectaram comerciantes e consumidores.
- 1966: Lançamento do Mastercard e expansão do BankAmericard.
- 1969: Tarja magnética inventada, viabilizando transações em tempo real.
- 1970: Primeira máquina eletrônica com tarja magnética usando IBM 360.
- 1976: BankAmericard renomeado para Visa; First Data começa a processar transações.
No Brasil, o Credicard foi lançado em 1968, sendo o primeiro cartão nacional.
Em 1976, o processamento de Visa e Mastercard via First Data integrou o país às redes internacionais.
A década de 1980 viu a popularização da tarja magnética, com adição de hologramas para antifraude.
No entanto, a suscetibilidade a clonagem levou a novas inovações.
Segurança Avançada com Chip e Contactless
Em 1974-1975, Roland Moreno patenteou o chip smart card ou EMV na França.
Inicialmente usado para cartões telefônicos, ele foi adaptado para bancários a partir de 1985.
O padrão EMV (Europay, Mastercard, Visa) foi criado em 1995 para interoperabilidade global.
O chip gera um código único por transação, reduzindo fraudes significativamente.
Nos anos 1990, sua implementação em larga escala combateu clonagens da tarja magnética.
A transição foi obrigatória na França em 1992 e se espalhou globalmente até 2005.
- 1974-1975: Invenção do chip EMV por Roland Moreno.
- 1995: Padrão EMV estabelecido para segurança global.
- 1990s: Implementação ampla do chip para antifraude.
- 1998: Surgimento de carteiras digitais com o PayPal.
Nos anos 2010, o contactless com tecnologia NFC se popularizou, especialmente após 2015 na Europa.
Permite pagamentos rápidos sem toque, com criptografia avançada e limites sem PIN iniciais.
Em 2021, a Mastercard anunciou o fim da tarja magnética, substituída por chip e contactless.
Essa mudança reflete a busca contínua por eficiência e proteção.
Contexto Brasileiro e Impactos Globais
No Brasil, a evolução seguiu ritmos próprios, com marcos importantes.
Em 2009, a quebra da exclusividade entre bandeiras e credenciadoras foi um divisor de águas.
Todas as máquinas passaram a aceitar todos os cartões, aumentando a competição e acessibilidade.
Isso impulsionou o crescimento do mercado, de 900 mil clientes da Amex em 1962 para redes massivas hoje.
- 1968: Lançamento do Credicard, primeiro cartão nacional.
- 1976: Integração com processamento global via First Data.
- 1980s: Expansão de bandeiras internacionais no país.
- 2009: Fim da exclusividade, permitindo máquinas universais.
Em Portugal e Europa, a Multibanco com tarja magnética nos anos 1980 foi um marco.
O contactless tornou-se dominante nas transações diárias, mostrando a adaptação rápida às novas tecnologias.
Esses contextos locais enriquecem a narrativa global da evolução dos cartões.
Transição para o Digital e Futuro
A era digital começou em 1998 com o PayPal, introduzindo carteiras digitais baseadas em e-mail.
Pagamentos sem plástico físico se tornaram realidade, dependendo de internet e apps.
Cartões virtuais e experiências com materiais como madeira surgem como tendências sustentáveis.
O futuro aponta para pagamentos sem contato físico, com integração em dispositivos wearables e IoT.
- 1998: Carteiras digitais com PayPal para transferências online.
- 2010s: Popularização do contactless NFC para rapidez.
- 2021+: Fim da tarja magnética, transição para digital.
- Tendências: Cartões virtuais, materiais ecológicos, pagamentos por biometria.
A evolução continua, com foco em reduzir erros humanos e aumentar a conveniência.
Inovações como blockchain e pagamentos por voz podem redefinir o panorama nos próximos anos.
A jornada do cartão é um testemunho da criatividade humana em resolver problemas práticos.
Desde as chapas metálicas exclusivas até os pagamentos por NFC instantâneos, cada etapa trouxe mais liberdade.
A segurança evoluiu com o chip EMV antifraude, protegendo dados em transações globais.
No Brasil, a democratização com a quebra de exclusividades expandiu o acesso a milhões.
Olhando adiante, a sustentabilidade e a inovação sem fronteiras prometem um amanhã ainda mais conectado.
Essa evolução não é apenas tecnológica, mas cultural, incentivando confiança e eficiência no dia a dia.
Para os usuários, entender essa história inspira a aproveitar as ferramentas com sabedoria e otimismo.
O cartão, em suas múltiplas formas, continua a ser um símbolo de progresso e adaptabilidade.
Referências
- https://www.fiserv.com.br/insights/breve-historia-cartoes-credito/
- https://www.mastercard.com/br/pt/news-and-trends/stories/2021/swiping-left-on-magnetic-stripes.html
- https://conti.systems/breve-historia-dos-cartoes-bancarios-do-papel-ao-contactless/
- https://evertectrends.com/pt-br/a-evolucao-dos-meios-de-pagamento-onde-chegamos-parte-ii/
- https://bs2.lt/company-news/evolution-of-payment-cards-from-cardboard-to-digital-and-wooden/
- https://allpay.cards/market-intelligence/the-evolution-of-plastic-cards-a-look-back-at-the-history-of-card-manufacturing-1/
- https://www.mobiletransaction.org/history-of-credit-card-machines/